Projeto Parapuan
Projeto Parapuan

Na próxima Feira de Cerâmica, que abrirá no dia 29/04, haverá a participação especial do Projeto Parapuan. Leia abaixo o texto da ceramista Nádia Saad, criadora do projeto:

Projeto Parapuan, Arte na Indústria

Para além do trabalho

O Grupo Parapuan foi formado a partir de um sonho da artista plástica Nadia Saad. Na busca de um forno maior para queimar suas esferas que viriam a ser enormes, e mais alguns acasos, é claro, acabou chegando à Empresa do Grupo Parapuan.

Ao bater às portas da Empresa Parapuan – Tubos e Conexões Cerâmicas, e fazer uma proposta simples de desenvolver seu trabalho, nem a artista nem o dono da empresa, ao concordar prontamente, haviam notado a abrangência que o Projeto assumiria.
Parecia haver ali uma emergência do destino. Uma predestinação que passou despercebida.

Logo que chegou à linha de produção e quando questionada o que iria fazer, viu-se em apuros. Como explicar que faria o absolutamente inútil e desconhecido sob a ótica da produtividade ou da lógica econômica? Como contar sobre o diálogo com a matéria? Como falar de outras questões do fazer artístico que não eram claras nem para a própria artista?

Mesmo assim, e apesar de todos os mundos desconhecidos de ambos os lados (do lado da artista, e do lado dos trabalhadores), ambos foram trabalhando, sempre formando parcerias em cada setor da empresa.

Todos trazendo grandes idéias para ajudar a desvendar os mistérios do desconhecido, trazendo-o para a luz.
Aos poucos e timidamente, foram se apresentando pessoas que desenvolviam trabalhos pessoais, tanto na cerâmica como em madeira e outros suportes. Um a um foi surgindo para o encantamento da artista. Todos, também, contribuindo com idéias e soluções para seu projeto e alguns até apresentando seu desejo em desenvolver idéias imaginadas, mas nunca ainda executadas.
Impressionam-se com o afinco da artista, com seu imaginário, inspiram-se com ela e flagram-se desejosos de seguir os seus passos.
Surge o comunicado do Salão de Curitiba.

Imediatamente a artista pergunta aos donos da empresa se permitiriam que os funcionários participassem do Salão, inscrevendo-se com seus trabalhos.

Mais uma vez, surpreendeu-se com eles.

Concordaram e permitiram que os funcionários, que assim o desejassem, trabalhassem em seus projetos, mesmo em horário de expediente.

Surge o Grupo Parapuan.

Formou-se uma equipe de trabalho visceral e espontânea.

Percebe-se nitidamente que a empresa toda vibra com o projeto. Mesmo aqueles que não estão efetivamente no Grupo, sentem-se participantes.

Todos e cada um dos setores solidarizam-se com o Projeto. Todos fazem parte do processo e com orgulho olham os resultados surpreendentes, e os comentários são carregados de muita eloqüência.

Patrões, funcionários e a artista, vibrando em uníssono.

O que mais impressiona a todos é a velocidade com que todo esse processo se consolidou. Foram sete semanas, espaçadas, desde outubro de 2009 até fevereiro de 2010. Com essa prontidão fica clara a emergência.

As manilhas remetem a um simbolismo que traduzem uma combinação subjetiva de sentimentos e pensamentos, ao mesmo tempo podem ser associadas a formas existentes na natureza.

Ao invés de um peso a ser carregado, as manilhas passaram a carregar os sonhos de cada um. Tornaram-se tubos comunicantes em todas as instâncias da existência, aproximando todos dos invisíveis mundos ali permeados. Transcenderam a própria matéria. Uma revelação do sagrado!

Objetos projetados para ficar na horizontal, enterrados, no escuro, úmido, são capazes de revelar sua nobreza e dignidade, antes, invisíveis; e tudo por causa de um sonho: na busca de um forno maior, as manilhas foram trazidas à tona e iluminadas. O que antes era escuro e sombrio, deu à luz um caminho de transcendência!

Foram ouvidos depoimentos dos funcionários como:
– “Puxa, quanta coisa! Tantos anos aqui e nunca pensei que isso fosse possível!”.
– “Se não fosse por você, tudo isso ficaria socado aqui dentro”.

E ainda, apesar de ser um projeto muito jovem cujo resultado foi pouco veiculado, apareceram alguns interessados em adquirir os objetos fruto do trabalho do Grupo. Trabalhos já foram vendidos e consultas para novos orçamentos estão em andamento.
A repartição dos lucros, após todos os acertos financeiros já foi feita.

Momento marcante de grande alegria. Como se costuma dizer, “o sorriso nem cabia no rosto”.

Isso reafirmou a todos o que haviam vislumbrado em outros horizontes materiais e imateriais.

E tudo continua a se desdobrar. A Secretaria de Cultura de Pará de Minas já tomou conhecimento do Projeto e está em trâmites para agendar uma exposição coletiva. A Escola de Artes , ligada à Secretaria da Cultura de Pará de Minas também se mostrou interessada em participar desse projeto.

Recentemente, em janeiro de 2011, os alunos, alunas, e professores da Escola de Artes passaram a frequentar a indústria
O grupo se encontra uma vez por semana, após o expediente, sob a orientação do Sr. Carlos Muchinho, seu nome artístico, funcionário da indústria. O Senhor Carlos é o orientador do grupo.

Ao ser questionado sobre sua remuneração, o Sr. Carlos afirmou certeiramente:

“Só a troca que está acontecendo é paga suficiente. Elas são muito poderosas no que fazem. Quero aprender tudinho.”

O Projeto está promovendo o relacionamento entre diferentes segmentos sociais.
Traz à tona conteúdos semelhantes entre pessoas com experiências tão diferentes.
Diminui a distância entre as classes, revela-as iguais na sua essência. Para a grande surpresa de todos!
Agora o Projeto Parapuan ultrapassou os muros da fábrica e incorporou um outro grupo cultural.
Ao assimilar outros membros da sociedade, trazendo-os para dentro da Indústria, promovendo a troca de conteúdos em todas as instâncias, sociais, pessoais, imagéticas e outras, o apêndice de seu nome se justifica: Projeto Parapuan, Arte na Indústria – Para Além do Trabalho.
Mais uma vez, as manilhas estão adquirindo a função de objetos de intermediação: tubos comunicantes.
Mais um passo para a consolidação do Projeto.

(*) Desde o seu início o ´Projeto Parapuan, Arte na Indústria – Para Além do Trabalho´ foi e continua sendo uma doação social, tanto por parte da empresa como da artista, por considerarem a Arte um processo transformador capaz de dignificar e valorizar o homem.

Para ver mais fotos sobre o projeto: http://nadiasaadbr.blogspot.com/2011/02/novidades-no-projeto-parapuan.html

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Publicado porSimone Chacham