Duo=2. Um casal. Celson e Maria do Carmo.

Como um dos resultados da nossa harmonia de convivência diuturna, produzimos cerâmica.

Ora singela, despojada; ora cheia de curvas e reentrâncias. Como a vida de um casal. Arte.

Nascida do nosso desejo de enfeitar e colorir o nosso dia-a-dia, nossa cerâmica é predominantemente de cunho utilitário: copos, pratos, travessas; peças que nos permitem um diálogo ora alegre, ora elegante, e sempre cotidiano com a nossa casa, com o nosso sítio.

Tudo importa, chama a nossa atenção e nos inspira: nossa mata, as argilas cerâmicas, os pássaros, borboletas e flores do nosso sítio, as técnicas do fazer cerâmico, nosso humor ao começar um dia de trabalho, os nossos fornos de queima cerâmica -o elétrico e o à lenha, nossos filhos e netos. Tudo influencia e, ao fim, determina a aparência final das nossas peças, as cores dos nossos esmaltes cerâmicos, a proposta de uso a que pensamos, a peça possa vir a satisfazer.

Tudo é feito a quatro mãos: modelagem, acabamento, esmaltação, queima. Tudo feito apenas por nós dois.

Trabalho árduo, pesado, moroso, detalhista, mas que resulta em peças que às vezes têm a leveza de uma refeição frugal. Ou a sofisticação de um almoço de casamento. Adoramos a perspectiva de que nossas peças possam ser o suficiente para enfeitar , colorindo, alegrando e compondo o ambiente tanto um almoço romântico a dois, quanto de uma reunião familiar ou um jantar de celebração.

Nesse sentido, nossas peças são multiuso: tanto podem ser usadas para uma refeição, quanto para enfeitar um centro de mesa ou a mesinha lateral de um sofá.

Nos preocupamos com a qualidade do material utilizado, tanto quanto com a funcionalidade das nossas peças: na maioria, elas podem ir ao forno, ao lava-louças, ao microondas.

Nossa produção é artesanal, em pequena escala: cada peça é única. Mesmo quando repetimos um modelo já feito por nós em outra ocasião, variamos. Adicionalmente, nosso esmalte e o nosso forno funcionam como nossos aliados nesse propósito, contribuindo para que uma peça não seja exatamente igual à outra.

Não desejamos que nossa produção cresça muito: gostamos do nosso olhar sobre cada detalhe de cada peça que leva a nossa assinatura. E gostamos da diversidade de um dia, ao acordarmos, termos a surpresa da abertura de um forno de esmaltação, mais tarde nos dedicarmos à modelagem e, quem sabe, à tardinha, à leitura e estudo das técnicas de cerâmica.

Nesse fazer, já tivemos muitos mestres, a quem agradecemos o nosso conhecimento sobre a arte da cerâmica: Léa Diegues, Sebastião Pimenta, Ângela Maciel, Flávia Santoro, César Barbosa, Heloisa Alvim, Cintia Gavião, Adel Souki, Bruno Amarante, José Carvalho, Rosalyn Galera,Tito Tortori, Silvia Barrios, Antoinette Badenhorst, Francisco Lorusso, Flávia Vanderlinde. Estivemos na China, fazendo estágio no Sanbao Institute, na cidade de Jingdhezen, onde cada casa é um atelier ou uma fabriqueta de peças de porcelana. Nosso trabalho reflete um pouquinho do que aprendemos com nossa experiência, nossas leituras e cada um desses mestres mas, principalmente, expressam o nosso caráter e a nossa alegria de viver.

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Publicado porSimone Chacham

Uma reflexão sobre “Sobre Celson e Maria do Carmo

  1. Muito feliz de ter adquirido de vocês uma linda molheira azul… estou aqui, tomando café nela… risos… iluminou o meu domingo! Maria do Carmo, muito feliz em te reencontrar. Os caminhos da vida. Agradeço, também, a Celson, que deu a minha mãe e a mim, uma verdadeira aula. Muito obrigada, de coração.

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